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Segunda, 24 de Setembro de 2018
DOURADOS
Protesto de caminhoneiros deve atingir setores do comércio nas próximas horas
A falta de produtos é preocupação de gestores de supermercado

Mercados "correram" para não deixar consumidor sem produtos hoje
O bloqueio dos caminhoneiros em vários pontos de rodovias estaduais e federais de Mato Grosso do Sul deve começar a causar impacto em vários setores do comércio nas próximas horas. A falta de produtos é preocupação de gestores de supermercados em Dourados, representantes de postos de gasolina e distribuidoras de gás, conforme apurado pelo Dourados News, na tarde desta quarta-feira (23).

Dados da PRF (Polícia Rodoviária Federal) indicam que ao todo são 19 municípios no Estado que concentram os atos. Manifestantes têm permitido apenas a passagem de veículos pequenos, ambulâncias e ônibus.

Os caminhoneiros tem sido "parados" no ato. 

O setor de FLV (Frutas, legumes, verduras), as carnes e os frios, estão entre os itens que podem faltar a partir dos próximos dias em um supermercado na área central de Dourados, com a persistência dos bloqueios.

O gerente do estabelecimento, Cleir dos Santos, explica que produtos vem de fornecedores de outros estados e que hoje, por exemplo, foi necessário recorrer a outros, pagar mais caro, para ofertar produtos ao cliente. 

"Tivemos que trabalhar desta forma para não faltar ao consumidor. Já havíamos anunciado ofertas no FLV e mantivemos os preços, mesmo pagando bem mais caro com outro fornecedor. Se os bloqueios continuarem é possível que falte alguns produtos a partir desta quinta-feira", disse. 

Em outro supermercado situado no jardim Maxwell, a preocupação também ocorre. O subgerente Walcir Ader Cardoso explica que recebe itens como o arroz, óleo, leite e a parte de hortfruti via caminhões e está em alerta com a situação. 

"Nós pegamos um estoque maior quando soubemos da possível ação, então ainda temos todos tipos de produtos. Existe a possibilidade de faltar nos próximos dias se ação continuar, colocamos alguns avisos sobre isso na loja, inclusive", comentou. 

No caso dos postos de combustíveis, Edson Lazzarotto, do Sinpetro, informou que o município já contava com alguns estabelecimentos com a falta de gasolina, no entanto, não informou um número exato. 

Em um estabelecimento do setor, o Dourados News foi informado que o estoque atenderia a demanda desta quarta-feira (23), porém, já faltaria a partir da quinta-feira (23), caso o produto não fosse "liberado" nas interdições do Estado. 

Algumas distribuidoras de gás de cozinha de Dourados informavam nesta tarde (23) aos clientes sobre o desabastecimento do produto. 

A Associação Comercial de Dourados (ACED) emitiu nota em apoio ao manifesto dos caminhoneiros nesta quarta-feira (23). Veja na íntegra:  

"Entendendo a importância do setor de transportes para a economia, a ACED apoia a mobilização dos profissionais desta área contra os constantes aumentos nos preços do diesel. A associação entende que a alta carga tributária que incide sobre o produto, afeta direta e indiretamente empresários dos mais diversos setores, em especial na nossa região que é polo na área do comércio, indústria e produção agropecuária. Acreditamos que o desenvolvimento econômico acontece com comércio forte e condições aos empresários de oferecer produtos e serviços competitivos". 

ENTENDA O MOVIMENTO 

Em Dourados, a interdição da rodovia ocorre em três locais: no Trevo da Bandeira, no trevo com a Avenida Coronel Ponciano e no Posto da Base. Manifestantes permitem apenas a passagem de carros de passeio, ambulância, ônibus e caminhões com carga de animais vivos. Ao todo, como citado no inicio da reportagem, os bloqueios atingem 19 municípios.

O ato está no seu terceiro dia. O motivo é o posicionamento contra o aumento dos preços do óleo diesel nos postos de combustível. O valor é composto em 28% de tributos federais e estaduais (PIS/Pasep, Cofins, Cide e ICMS), 6% pela adição de biodiesel, 5% pela margem bruta de distribuição e custo de transportes, 11% do lucro dos postos, além dos 49% destinado às refinarias. 

Nesta terça-feira (22), o Governo Federal anunciou zerar o Cide, o que resultaria num impacto de cerca de R$0,06 centavos por litro de diesel. 



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